O que as mulheres serão para as gerações futuras?

quarta-feira, 6 de maio de 2009


Acabo de voltar do carnaval na praia, onde fiz uma triste constatação: tá dominado, tá tudo dominado!!! Só dá funk! O "neo forró" tenta uma reação, mas suas letras não são cafajestes e não trazem a "alegria compulsória" que o brasileiro tanto gosta.

Aí não dá, né, pô?! Como é que o cara quer fazer sucesso sem tratar mulher como lixo?! Esses forrozeiros, vou te contar...

A indústria do CD pirata vai tratar de enfraquecer esse negócio, mas o jabá e a televisão devem insistir na onda por um bom tempo. Xuxa, Luciano Huck, Raul Gil, Gugu, enfim, toda essa gente boa vai se virar pra ganhar em cima. A Bandeirantes até já vai lançar um programa semanal com duas horas de duração dedicado ao funk. Isso, claro, até o "Tigrão", a mente por trás do "movimento", ser domesticado, o que, em termos mercadológicos, significa botar um terninho e gravar uma babinha pra novela das oito da Globo.

O "Tigrão", aliás, deu uma elucidativa entrevista pra revista VIP de março. Eu digo elucidativa, pois ele dissipa a névoa de ignorância (por parte do público) que encobria alguns aspectos do "movimento". Vejamos: em determinado trecho da entrevista, "Tigrão" diz: "....As pessoas gostam desse erotismo. Mas, se você analisar, as letras nem são tão pesadas.. Elas têm duplo sentido, até porque o público infantil ouve funk".

Muitas coisas interessantes nessas sentenças! Então vamos por partes: "...se você analisar, as letras nem são tão pesadas".

Eu analisei e ele está certo. Quem, em sã consciência, poderia achar pesada a letra do funk "Máquina de Sexo", que diz:

"Máquina de sexo, eu transo igual a um animal

A Chatuba de Mesquita do bonde do sexo anal /

Chatuba come cu e depois come xereca

Ranca cabaço, é o bonde dos careca"?

Nota-se a leveza de termos como "sexo anal", "cu", "xereca" (!) e "cabaço". "Elas têm duplo sentido...".

Procurei demais e não achei o duplo sentido no funk "Barraco III":

"Me chama de cachorra, que eu faço au-au /

Me chama de gatinha, que eu faço miau /

Goza na cara, goza na boca /

Goza onde quiser".

Ah, agora entendi! "Goza na cara" é porque o cara ficava tirando sarro da menina pelas costas. Aí ela diz "Goza na cara!". Que coisa... "...até porque o público infantil ouve funk". Eis uma verdade e a preocupação do "Tigrão" se justifica.

Foi pensando nas crianças que o garoto Jonathan, de 7 anos (ele mal tem coordenação motora para reproduzir a coreografia) foi incentivado a gravar o funk "Jonathan II", de edificante letra:

"De segunda a sexta, esporro na escola

/ Sábado e domingo, eu solto pipa e jogo bola

/ Mas eu já estou crescendo com muita emoção

/ E eu já vou pegar um filé com popozão".

7 anos!!! 7 anos!!! Pô, foi mal... A culpa é minha, gente grande, feia e besta, que não entendo.

Então, vamos lá, repetir o discurso de dez em cada dez apresentadores d e programas femininos e de auditório: todo mundo junto, um, dois, três e já: "A malícia está na cabeça do adulto, a criança só quer se divertir. Onde já se viu, se preocupar com uma coisa dessas. Das crianças que passam fome na rua ninguém fala nada...". Aplausos entusiasmados e urros de apoio, por parte do auditório.

É bom que se diga que as crianças que passam fome nas ruas são um sério problema social, cuja resolução deve ser uma das prioridades máximas de qualquer governo (detalhe sem importância: os funks da moda não passam nem perto dessa questão.. Mas, beleza, vamos lá...). Só que é um problema do governo, a gente não tem nada com isso, não é mesmo? Ao invés disso, vamos dar risada e incentivar o moleque de 7 anos (7 anos!!!) a "pegar um filé com popozão". Afinal, nunca é cedo demais pra mostrar pro papai que se é um garanhão, que não deixa passar nenhuma cachorra. Isso é que é uma infância saudável!

E pens ar que eu perdi tanto tempo assistindo "Bambalalão", "Sítio do Pica-Pau Amarelo" e ouvindo aqueles discos da "Turma do Balão Mágico". Ao invés disso podia estar por aí, transando umas cachorras...

Enquanto a gente dá risada, a molecada vai crescendo com a certeza de que mulher não passa de uma bunda e um par de peitos siliconados, que gosta de ser chamada de cachorra e que acha que só um tapinha não dói. Se "só um tapinha não dói", o primeiro deveria ser dado no popozão dos tigrinhos e cachorrinhas que curtem essas coisas.

Depois a gente não entende o motivo do aumento dos índices de violência contra a mulher e porque ela é tão desrespeitada na sociedade. Será que não é óbvio?

Você, cadela... quero dizer, mulher que está lendo isso, levante-se e lute! Não seja uma cachorra! Um tapinha dói, sim! Exija respeito antes que nós, homens, acreditemos que é isso mesmo que vocês querem. Deponham as Xuxas, Carlas Perez , Feiticeiras, Tiazinhas, Enfermeiras, Internéticas, Vampiras, Fernandas Abreu e Vanessinhas Pikachu de seus reinados de miséria intelectual! Conto com vocês!!!

E lembrem-se sempre da cada vez mais pertinente frase de Oscar Wilde: "Todo crime é vulgar, assim como toda vulgaridade é criminosa."


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[Esse texto é do jornalista Arnaldo Jabor... não gosto dele como comentarista na Globo, mas aprecio os textos e esse vale mesmo ser divulgado]






[]'s

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11 comentários:

Atreyu disse...

Eu sempre detestei esse estilo de música abominável! Ou melhor dizendo: Isso nem música são, pois música é poesia.
Pois bem, o erotismo vende não é mesmo?! E Funk é apenas isso (...) boa sorte pra quem curte e aprova, mas esse não é meu caso.
Funk Original não tem nada a ver com essa banalização do corpo como é aqui no Brasil!
Triste da mulher que não se valoriza ao ponto de só se ver como Bunda e Peito, além de adorar ser chamada de cachorra.
Algo inexplicável...

Marina Melow - Papo Contemporâneo disse...

Eu ADOREI esse post, na minha aula de Filosofia a professora falou sobre isso e usou esses termos: "um tapinha não doi, sou cachorra" e etc.
O funk denigre a imagem das mulheres.Só faz apologia ao sexo. Ah e tem um que você não citou aí, deve ser porque é "lançamento" ainda.Aí vai um trechinho "Levanta a mão no baile quem já trepou sem camisinha, só na pele, só na pele, a moda agora é trepar sem camisinha"
Com tantas pessoas com o vírus HIV, altos índices de gravidez na adolescência. E ainda tem coragem de fazer uma porcaria dessas, é lamentável isso. Revoltante!!
Não curto. É um verdadeiro lixo. Eu tive infância, mas infelizmente as crianças de hoje não tem mais, e coitada das que estão por vir. E depois meu pai me chama de egoísta por eu não querer ter filhos....

Carol disse...

Nossa vdj, eu adorei esse texto, nunca gostei desse tipo de musica, já dizia uma professora minha, quem canta ou dança (mulher) ta se chamando de cachorra, vadia essas coisas, ta mostrando pro cara do lado que ela não se valoriza que pode "chegar chegando". Eu acho um absurdo crianças ficarem dançando ou cantando essas barbaridades!
Como disse a Marina é um lixo isso que eles chamam de musica!

beijos

V. Martins disse...

Realmente, muito bom o texto (:
É chocante a maneira como as crianças já estão sendo condicionadas a aprender seja lá o que for que essas letras de funk ensinam.
Tenho um irmão de 10 anos (ou 11, sei lá!), e ele é desse tipo.

Já tentei obrigá-lo a escutar música boa, mas não cosigo .-.'AIUHEIUAEHI

Espero que seja uma fase, e passe bem rápido.
Boa semana pra todo mundo :B

jorginho da hora disse...

Xana, não tenho nada a acrescentar a este texto, pois acho que o Arnaldo aí já disse tudo.

jessicadeverdade disse...

Incrívelk vc divulgar esse texto.
Muito bom teu canto aqui
voltarei sempre

Mila disse...

Excelente post!
Já foi a época que o funk tinham letras com duplo sentido como o axé e algum desses forros e sertanejos.
Acabou! Agora está tudo escrachado mesmo, já ouvi letras piores do que essas que vc postou.
Tem tb aquelas de agressão, q não consigo nem ouvir toda...afff
O funk acabou com a alegria da musica brasileira.
Acabou com as mulheres, e as tontas ainda acham q não.
Os homens vão nesses bailes pq sabem q tem mulher facil, e melhor...eles nem precisam pagar. Muito menos conquistar. Eles sabem exatamente pq elas estão lá e o q elas estão querendo. Algum homem descorda?
Em relação as crinaças, pelo amor de Deus. E já vi muitas mães apoiarem, acharem lindo, crianças de 5 anos ou até mais nova rebolando a bundinha para os outros verem.
Isso até istiga a pedofilia meu.
Eu quero é ficar bem longe disso tudo!

.ana disse...

ótimooo o texto.
cada palavra no lugar certo.

as pessoas estão perdendo a noção e o senso de ridículo. e pior: achando tudo isso muito legal. e normal.

bjos!


[ps: por probleminhas técnicos - leia-se correria demais- não pude postar ontem... então, espero que semana que vem eu consiga dar as caras por aqui...]

Patricia disse...

eu não gosto de funk, mas eu danço em festa, na noite, acho divertido, abomino as letras, rio quase sempre das baixarias, acho muito ridículo.

e eu também gosto do Arnaldo Jabour cronista e escritor, o comentarista sarcástico da Globo é um mala.

beijo*

Xana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel Savio disse...

Cara, depois dizem o porque a infancia está sendo precose...

Oh melda.

Hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo de verdade.

Fiquem com Deus, menin VDJ e galera.
Um abraço.