A sensualidade e a sensibilidade de Florbela Espanca.

domingo, 23 de agosto de 2009

Vou usar este espaço semanal para compartilhar um gosto particular meu, a poesia de Florbela Espanca, que me encanta, seduz, me embriaga com sua sensualidade e sensibilidade, que impregnam suas palavras.
Suas poesias me chamam como um canto de sereia, como um doce murmurar que me toma os ouvidos e me aquece, me toma, me domina.
Sempre uso as palavras desta aclamada e so
frida poetiza portuguesa para expressar minhas dores, meus anseios e meus amores.
E hoje é isso que g
ostaria de dividir com vocês, é essa pessoa incrível e a frente de seu tempo que gostaria de lhes apresentar.

FLORBELA ESPANCA
Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.


Em resumo foi uma poetisa portuguesa. A sua vida de trinta e seis anos foi tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização e feminilidade.

Filha de Antônia da Conceição Lobo e do republicano João Maria Espanca nasceu no dia 8 de Dezembro de 1894 em Vila Viçosa, no Alentejo.

O seu pai herdou a profissão do sapateiro, mas passou a trabalhar como antiquário, negociante de cabedais, desenhista, pintor, fotógrafo e cinematógrafo. Foi um dos introdutores do “Vitascópio de Edson” em Portugal.

Era casado com Mariana do Carmo Toscano. A sua esposa não pôde dar-lhe filhos. Porém, João Maria resolveu tê-los – Florbela e Apeles, três anos mais novo – com outra mulher, Antônia da Conceição Lobo, de condição humilde.

Ambos os irmãos foram registados como filhos ilegítimos de pai incógnita.

Entretanto, João Maria Espanca criou-os na sua casa e a Mariana passou a ser madrinha de baptismo dos dois. João Maria nunca lhes recusou apoio nem carinho paternal, mas reconheceu Florbela como a sua filha só dezoito anos depois da morte dela.

Cresceu, estudou o máximo que pode conseguir em sua condição de mulher da época em que viveu, casou-se e viveu uma vida turbulenta e conturbada de desilusões e sofrimento, recebeu um diagnóstico de edema pulmonar e perdeu o resto da vontade de viver.

Não resistiu à terceira tentativa do suicídio. Faleceu em Matosinhos, no dia do seu 36º aniversário, a 8 de Dezembro de 1930. A causa da morte foi a sobredose de barbitúricos.

A poetisa teria deixado uma carta confidencial com as suas últimas disposições, entre elas, o pedido de colocar no seu caixão os restos do avião pilotado por Apeles na hora do acidente. O corpo dela jaz, desde 17 de Maio de 1964, no cemitério de Vila Viçosa, a sua terra natal.

Autora de contos, artigos na imprensa, traduções, epístolas e um diário, Florbela Espanca antes de tudo foi poetisa. É à sua poesia, quase sempre em forma de soneto, que ela deve a fama e o reconhecimento. A temática abordada é principalmente amorosa. O que preocupa mais a autora é o amor e os ingredientes que romanticamente lhe são inerentes: solidão, tristeza, saudade, sedução, desejo e morte. A sua obra abrange também poemas de sentido patriótico, inclusive alguns em que é visível o seu patriotismo local: o soneto “No meu Alentejo” é uma glorificação da terra natal da

autora.

Somente duas antologias, Livro de Mágoas (1919) e Livro de Sóror Saudade (1923), foram publicadas em vida da poetisa.

Outras, Charneca em Flor (1931), Juvenília (1931) e Reliquiae (1934) saíram só após o seu

falecimento.

Toda a obra poética de Florbela foi reunida por Guido Battelli num volume chamado Sonetos Completos, publicado pela primeira vez em 1934. Em 1978 tinham saído 23 edições do livro.

As peças anteriores às primeiras publicações da poetisa foram reconstituídas por Mária Lúcia Dal

Farra, que em 1994 editou o texto de Trocando Olhares.

A prosa de Florbela exprime-se através do conto (em que domina a figura do irmão da poetisa), de um diário, que antecede a sua morte, e em cartas várias. Algumas peças da sua correspondência são de natureza familiar, outras tratam de questões relacionadas com a sua produção literária, quer num sentido interrogativo quanto à sua qualidade, quer quanto a aspectos mais práticos, como a sua publicação. Nas diferentes manifestações epistolares sobressaem qualidades que nem sempre estão presentes na restante produção em prosa - naturalidade e simplicidade.

Texto da Wikipédia, a enciclopédia livre.

Um pouco de suas Palavras...

Cheira a uvas amargas, cheira a sândalo. E o meu corpo ondulante de sereia dorme nos seus braços másculos de vândalo.( Essa está no cabeçalho do meu blog http://1001noitesdemalicia.blogspot.com/)

Florbela Espanca

A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente.

Florbela Espanca

Se penetrássemos o sentido da vida seríamos menos miseráveis.

É pensando nos homens que eu perdoo aos tigres as garras que dilaceram.

Florbela Espanca

A ironia é a expressão mais perfeita do pensamento.

Florbela Espanca

Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder...para me encontrar....

Florbela Espanca

Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade

Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente. Amar só por amar.

Florbela Espanca

Sou talvez a visão que alguém sonhou

Alguém que veio ao mundo prá me ver
E que nunca na vida me encontrou

Florbela Espanca

"Não és sequer a razão de meu viver, pois que tu és já toda a minha vida".

Florbela Espanca

Eu não sou boa nem quero sê-lo, contento-me em desprezar quase todos, odiar alguns, estimar

raros e amar um.

Florbela Espanca

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

Florbela Espanca

"...Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
Sem nos dar braços para os alcançar?!..."

Meu doce Amor tu beijas a minh’alma/Beijando nesta hora a minha boca!”
Florbela Espanca

"Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse a chorar isto que sinto!"

Florbela Espanca

Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d’açucenas!

Florbela Espanca

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Florbela Espanca

Eu tecerei uns sonhos irreais ...Como essa mãe que viu o filho partir; como esse filho que não

voltou mais!

Florbela Espanca

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.

Florbela Espanca

"Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse a chorar isto que sinto!"

florbela espanca

(…)
Quero voltar! Não sei por onde vim…
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!

Florbela Espanca

Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de i

lusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura.

Florbela Espanca

Gosto da noite imensa,
triste,preta,como esta estranha borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...

Florbela Espanca


PS1: DESCULPE O TEXTO ENORME, É QUE NÃO QUERIA FAZER AS COISAS PELA METADE JUSTO COM MINHA POETIZA FAVORITA.
PS2: VIU DANIEL (DO BLOG MEU REINO) ACHEI O CORRETOR ORTOGRÁFICO E COMO ME DISSE PARA USÁ-LO FIZ MELHOR, ADD O CORRETOR ORTOGRÁFICO NO MEU FIREFOX, AGORA NUM ERRO MAIS NADA E VC VAI PODER LER EM PAZ SEM RECLAMAR. RS (BRINCADEIRA COM FUNDO DE VERDADE NÉ AMIGO!!)

9 comentários:

Daniel Savio disse...

Hua, kkk, ha, ha, e logo eu que sou o primeiro a comentar, estou honrado...

Hua, kkk, ha, ha, é pode rir, o destino é um ser sarcastico...

Não é de forma critica que eu fiz, apenas para que você melhore a cada dia, pois gosto do que escreve, bem como é um espirito livre, pois escreve desde sexo a assuntos mais filosoficos...

Mas saber qual é o teu gosto literal...

Fiquem com Deus, menina Xana e galera.
Um abraço.

Daniel Savio disse...

Uma pequena adição a frase: "Mas saber qual é o teu gosto literal É BOM, POIS PASSO A TE CONHECER UM POUCO MAIS"...

Fique com Deus, menina Xana.
Um abraço.

[Mari!] disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
[Mari!] disse...

Oiii lindiiinha! *.*
Pra mim, a Florbela Espanca é uma das melhoras escritoras, sempre foi, passo horas lendo os textos dela, e ainda fico com vontade de ler mais! E sobre o meu post, muitas vezes a realidade machuca, mas viver fora dela, pode nos machucar ainda mais né! Aaah tava com saudades de você, viiiu! ^^~
Beeeijo grandeee, se cuida tá... atééé!

Florbela Espanca - Eu...
"Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!"

A Madrasta Má disse...

"A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente"....
Simplesmente MARA!
Bjinhos da Madrasta!

Anna Oh! disse...

Amo a Florbela Espanca... me identifiquei com mtos escritos dela, em diferentes fases da minha vida. Pode ser pela sensibilidade, pelo romantismo, pela melancolia... mas no fundo, é lindo!


Bjus

Laah... disse...

Sou apaixonada pelo teu banner!! simplesmente lindo!! rsrs
seguindo blog

Bala Salgada disse...

O texto ficou ótimo. Eu não sou tão chegada em poesia, mas ela é ótima mesmo.

Anônimo disse...

Olá sou pesquisadora iniciante de florbela espanca e gostei muito do seu texto e se vc tiver mais informações textos teses estou a disposição meu nome é suzane. desde já grata!

email: suzy_nogeira@hotmail.com